A HISTÓRIA DA CAMISA 10 DO FLAMENGO: DE ZICO A ARRASCAETA

No Brasil, camisa 10 é título nobre. Carrega genialidade, peso simbólico e expectativa do torcedor. No Flamengo, ela carrega algo ainda mais raro: a herança de Zico. Não é exagero dizer que vestir a camisa 10 do Flamengo é uma das maiores responsabilidades do futebol nacional — e que a história desse manto está cheia de glórias, frustrações, “maldições” e renascimentos.

De Zico, o Galinho de Quintino, a Arrascaeta, o uruguaio que assumiu o número em 2025, a trajetória da camisa 10 do Flamengo é uma viagem pelos altos e baixos da própria história moderna do clube. Neste artigo, contamos essa história — com fatos cruzados em múltiplas fontes confiáveis.

Antes de Zico: a fundação da mística

Antes mesmo do Galinho transformar o número em monumento, o Flamengo já tinha craques históricos vestindo a 10. Um dos mais lembrados é Evaristo de Macedo, atacante elegante dos anos 50 que, segundo o portal Fla.app.br, iniciou o legado da camisa 10 antes de ganhar fama mundial no Real Madrid.

Outros nomes do passado, como Zizinho (anos 40), atuaram em posições que hoje associaríamos ao número 10, embora a padronização rígida das numerações só viesse mais tarde.

A mística, no entanto, ainda não tinha encontrado seu definidor. Isso só aconteceria com a chegada de um menino de Quintino, na zona norte do Rio.

A Era Zico: o nascimento do mito (1971–1983, 1985–1989)

Arthur Antunes Coimbra, o Zico, estreou pelo Flamengo em 1971, com 18 anos. Ao longo da década, foi consolidando-se como o craque máximo do clube. Quando vestiu definitivamente a camisa 10, transformou-a em uma das mais pesadas do futebol brasileiro.

Os números são esmagadores: segundo apuração do Lance!, Zico marcou 509 gols em 732 partidas pelo Mengão. Com a 10 nas costas, conquistou:

  • Libertadores 1981
  • Mundial Interclubes 1981 (vitória sobre o Liverpool, em Tóquio)
  • Brasileirões de 1980, 1982, 1983 e 1987
  • Múltiplos Cariocas
  • Foi eleito o melhor jogador do mundo em 1981 e 1983, por publicações de Espanha, Itália e Inglaterra, conforme registro do Diário Online.

Em 1983, Zico se transferiu para a Udinese, da Itália. A camisa 10 ficou vaga — e começava ali a saga dos herdeiros.

Tita: o primeiro herdeiro direto

Quando Zico foi para o futebol italiano, o Flamengo buscou um nome capaz de carregar o número sem desidratá-lo. A escolha foi Tita (Milton Queiroz da Paixão), cria do Ninho, conforme detalha o site oficial Fla Nação.

Na sua primeira passagem, Tita usava a 7. Foi emprestado ao Grêmio em 1983, onde ganhou outra Libertadores. Ao voltar para o Flamengo, com Zico já na Udinese, herdou a 10, segundo apuração da ESPN Brasil e do Fla.app.br.

Tita não decepcionou: foi artilheiro do Flamengo na Libertadores de 1984, com 8 gols, segundo o blog Drible de Corpo (Correio Braziliense). Encerrou a passagem com 391 jogos e 135 gols pelo clube — números que o colocam entre os maiores artilheiros da história rubro-negra.

Anos 90: instabilidade e a “10 errante”

Com a saída de Tita e o ciclo final de Zico (1985–1989, segunda passagem), a camisa 10 entrou em uma fase de alta rotatividade. Conforme reportagem do Correio Braziliense, no início dos anos 90:

  • Nélio, cria da base e destaque do título brasileiro de 1992, foi inscrito com a 10 na Libertadores de 1993.
  • Paulo César Cruvinel ficou com o número numa Libertadores sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Foi a primeira vez que a 10 “passou em branco” na competição continental — segundo o Correio Braziliense.

Outros nomes citados pelo Fla.app.br no período incluem:

  • Sávio, evoluído de ponta-esquerda para meia técnico;
  • Djalminha, talento criativo e polêmico, conhecido como o “bad boy” da Gávea.

A camisa 10 ainda não tinha encontrado um sucessor à altura.

Petkovic: a 10 reencontra o protagonismo (anos 2000)

Foi com o sérvio Dejan Petković que a camisa 10 do Flamengo voltou a ter peso real no século XXI. Petkovic é citado por múltiplas fontes (Lance!, Fla.app.br, Goal.com Brasil) como o autor de um dos gols mais icônicos da história recente do clube: o golaço de falta contra o Vasco que garantiu o tricampeonato carioca.

Mesmo com altos e baixos no relacionamento com a diretoria, Petkovic foi um dos poucos a bancar o peso da numeração entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000.

Renato Augusto: a esperança que se materializou em flashes

Conforme cobertura do Correio Braziliense, Renato Augusto vestiu a camisa 10 do Flamengo em duas Libertadores consecutivas (2007 e 2008). Cria do Ninho, talento técnico raro. Foi decisivo na vitória sobre o Garcilaso por 3 a 0, em Cuzco, mas o Flamengo acabou eliminado nas oitavas pelo América-MEX.

A passagem foi breve — mas a marca de talento ficou.

Adriano Imperador: a 10 e o povo (2009)

Em 2009, a camisa 10 viveu um momento de conexão emocional gigantesca com a torcida. Adriano Imperador, cria da base e torcedor declarado do Mengão, voltou ao clube, vestiu o número mítico e foi peça-chave na conquista do Campeonato Brasileiro de 2009, conforme apuração do 90min e do Correio Braziliense.

Na Libertadores de 2010, ainda com a 10, Adriano fez 4 gols e levou o time às quartas. A passagem foi curta, mas marcou para sempre — a 10 voltava a ser um manifesto popular.

Ronaldinho Gaúcho: a contratação badalada que não deu certo

Em 2011, o Flamengo realizou a contratação mais badalada da história moderna: Ronaldinho Gaúcho, ex-Barcelona e Milan, eleito o melhor do mundo em 2004 e 2005, chegou para vestir a camisa 10.

O início foi promissor: conquistou o Carioca de 2011 de forma invicta, segundo a Goal.com Brasil. Mas, na Libertadores de 2012, o astro decepcionou. O Mengão foi eliminado ainda na fase preliminar.

A passagem deixou recordações divididas — magia e frustração em doses parecidas.

A “década maldita” da camisa 10 (2013–2015)

A partir de 2013, a camisa 10 entrou no que muitos chamam de “era da maldição”. Conforme reportagem da Goal.com Brasil, vestiram o número e não corresponderam:

  • Felipe (ex-Bahia, em 2013) — passagem apagada;
  • Carlos Eduardo (em 2013) — atuações irregulares;
  • Nixon (cria do Ninho) — sem destaque;
  • Lucas Mugni (argentino, 2014) — chegou com status de craque e saiu sem deixar marcas, conforme o 90min.

A 10 voltou a ser fardo, não convite. Era preciso alguém capaz de carregar o peso.

Diego Ribas: o restaurador (2016–2023)

A guinada veio com Diego Ribas. Contratado em 2016, o ex-camisa 10 da Seleção devolveu, aos poucos, a dignidade e o glamour ao número. Sob sua liderança técnica e simbólica, o Flamengo conquistou:

  • Libertadores 2019 e Libertadores 2022
  • Brasileirões 2019 e 2020
  • Copa do Brasil 2022

Segundo o Lance!, Diego usou a 10 até passá-la oficialmente a Gabigol, em um gesto simbólico que marcou a transição entre gerações.

Gabigol: o ídolo popular que perdeu a 10

Gabriel Barbosa recebeu a 10 das mãos de Diego Ribas — momento descrito pelo Lance! e pelo A Tribuna RJ como passagem de bastão. Como camisa 10, Gabigol consolidou-se como o ídolo de uma geração inteira, com gols decisivos em finais de Libertadores e Brasileirões.

Mas a trajetória teve um final difícil. Em maio de 2024, segundo apuração da Bolavip Brasil e do A Tribuna RJ, a diretoria do Flamengo retirou a camisa 10 do Flamengo do atacante após polêmicas fora de campo. Foi a primeira vez na história moderna que um camisa 10 perdeu o número por punição disciplinar.

O número ficou vago do meio de 2024 até a definição do sucessor — uma raridade no clube.

Camisa 10 do Flamengo

Arrascaeta: o novo dono da 10 (a partir de 2025)

Em 16 de dezembro de 2024, conforme apurado pelo Lance!, pela Bolavip Brasil e pelo A Tribuna RJ, o Flamengo anunciou Giorgian de Arrascaeta como o novo camisa 10. A decisão, segundo as fontes citadas, foi um desejo da nova presidência de Bap.

Arrascaeta passou a vestir o número oficialmente a partir da temporada de 2025 — sendo o primeiro estrangeiro a usar a 10 do Flamengo desde Petković, segundo a Bolavip Brasil.

A escolha tinha lógica clara: o uruguaio é um dos jogadores mais decisivos da era moderna do clube, com 13 títulos pelo Mengão (mesmo número conquistado por Zico, segundo dados do A Tribuna RJ), incluindo as Libertadores de 2019 e 2022.

Por que a camisa 10 do Flamengo pesa tanto

Para entender a dimensão, basta lembrar a fala de Zico, em entrevista ao programa Redação Sportv (reproduzida pelo Esporte News Mundo), quando perguntado se jogaria com Arrascaeta apesar de ambos serem 10:

“Claro que jogaria! Ele começou pelo lado esquerdo e foi indo pro meio. Eu comecei pelo lado direito e fui indo pro meio. A gente jogava assim nos anos 80. O Tita era da mesma posição que eu, o Lico… a gente jogava com o Adílio, os quatro juntos. O importante é todo mundo estar bem… quanto mais talento, melhor.”

A fala diz muito: a 10 do Flamengo é uma camisa que respeita o passado, mas evolui. Não é só posição. É autoridade técnica, postura, decisão.

Curiosidades históricas

  • Segundo o Bolavip Brasil, mais de 30 jogadores vestiram a 10 do Flamengo no século XXI — entre eles, nomes pouco conhecidos como Walter Minhoca, Iranildo Lopes, Caio Fellype e Yan.
  • Zico é o jogador que mais vezes usou a camisa 10 do Flamengo em Libertadores, segundo o Correio Braziliense.
  • Tita virou figura polêmica anos depois ao marcar contra o Mengão na final do Carioca de 1987, jogando pelo Vasco — e foi excluído de homenagens recentes da torcida ao time campeão do mundo de 1981, conforme a ESPN Brasil.
  • A primeira Libertadores sem um camisa 10 inscrito pelo Flamengo aconteceu nos anos 90, sob comando de Vanderlei Luxemburgo, com Paulo César Cruvinel começando titular mas não se firmando, conforme o Correio Braziliense.

A herança continua

Cada vez que um craque do Mengão veste a 10, ele entra em uma corrente histórica que começa em Evaristo, passa por Zico, é repassada por Tita, atravessa o deserto dos anos 90, é resgatada por Petković, Adriano e Diego, ganha alma popular em Gabigol e chega, agora, em Arrascaeta.

A camisa pesa. Mas é justamente esse peso que faz dela a mais cobiçada — e a mais temida — do futebol brasileiro.

FAQ — Camisa 10 do Flamengo

Quem é o maior camisa 10 da história do Flamengo? Zico, por unanimidade. Maior artilheiro do clube e ídolo absoluto.

Quem herdou a camisa 10 de Zico? Tita, após retornar do empréstimo ao Grêmio em 1984, com Zico já na Udinese.

Quem é o atual camisa 10 do Flamengo? Giorgian de Arrascaeta, desde a temporada de 2025.

Por que Gabigol perdeu a camisa 10? Por decisão disciplinar da diretoria, em maio de 2024, segundo apuração do A Tribuna RJ e do Bolavip Brasil.

Quantos jogadores vestiram a 10 do Flamengo no século XXI? Mais de 30, segundo levantamento do Bolavip Brasil.

Algum estrangeiro vestiu a 10 do Flamengo antes de Arrascaeta? Sim: Petković (sérvio) e Lucas Mugni (argentino), entre outros.

Conclusão

A camisa 10 do Flamengo é mais do que um número nas costas. É um cargo. É uma promessa. É um pedaço da história do futebol brasileiro. De Zico a Arrascaeta, passando por mitos, decepções e renascimentos, ela conta a saga do próprio clube — e segue, mesmo agora, esperando o próximo capítulo.

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